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Carros elétricos: quase metade das vendas em setembro

Carro elétrico ligado a um posto de carregamento rápido, com o título do artigo sobre as vendas de setembro

Setembro de 2026 ficou marcado como um mês de viragem no mercado automóvel português. Pela primeira vez, os carros elétricos a bateria chegaram perto de metade das matrículas de ligeiros de passageiros novos num só mês. Neste artigo explicamos o que dizem os números, como está a rede pública de carregamento e porque é que carregar em casa ganha cada vez mais peso, sobretudo na Grande Lisboa.

Carros elétricos em setembro: os números

Segundo a análise mensal da UVE, Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos, foram registados em setembro 13.693 veículos 100% elétricos. Destes, 10.345 eram novos e 3.348 eram usados importados. O mercado de usados continua, por isso, a ter um papel relevante na chegada de elétricos às garagens portuguesas.

Nos ligeiros de passageiros novos, a quota dos elétricos a bateria ficou perto dos 48%. A Forbes Portugal, com base em dados da ACAP, indica que nesse mês foram matriculados 19.589 ligeiros de passageiros, mais 15,2% do que em setembro de 2025. Ou seja, o mercado cresceu e, dentro dele, o elétrico ganhou espaço.

Se olharmos para todas as categorias de veículos novos, e não só para os ligeiros de passageiros, a quota mensal dos elétricos foi de 35,89%. Os híbridos plug-in ficaram nos 10,56%.

O acumulado do ano

No total de 2026 até setembro, os elétricos a bateria passaram a ser a motorização com maior quota nos ligeiros de passageiros novos, segundo a UVE:

  • Elétricos a bateria: 28,97%
  • Híbridos não recarregáveis (HEV): 26,53%
  • Gasolina: 19,72%
  • Híbridos plug-in: 15%
  • Gasóleo: 3,49%

A UVE destaca ainda que o número de elétricos novos matriculados em 2026 já ultrapassou o total de todo o ano de 2025, quando ainda faltava um trimestre para fechar o ano. Na lista de modelos mais vendidos até setembro, publicada pela Forbes Portugal, o Tesla Model 3 aparece em segundo lugar, com 5.784 unidades, e o Tesla Model Y em sétimo, com 3.461.

Homem a ligar um carro elétrico a um posto de carregamento público na rua
Foto: Ratio EV Charging, Unsplash

A rede pública acompanha o ritmo?

Com mais carros a circular, a pergunta seguinte é onde carregá-los. De acordo com o relatório da UVE sobre a rede de carregamento, que usa dados do seu Observatório da Mobilidade Elétrica, a rede pública chegou às 17.768 tomadas em setembro. São mais 146 do que em agosto, um crescimento de 0,8%, abaixo dos 1,9% registados no mês anterior.

Nas autoestradas houve uma evolução visível: de 356 tomadas em novembro de 2025 passou-se para 575 em setembro de 2026, das quais 200 com potência igual ou superior a 350 kW. Para viagens longas, o cenário é bem diferente do de há um ano.

Odivelas, Lisboa e Loures entre os postos mais ocupados

O dado que mais interessa a quem vive na nossa região é a taxa de utilização. A média nacional ficou nos 11,40%, mas alguns concelhos da Grande Lisboa estão muito acima. Odivelas registou 24,5%, Lisboa 20,8% e Loures 20,3%, todos no grupo dos cinco municípios com maior utilização do país.

Na prática, isto significa mais probabilidade de encontrar o posto ocupado ao fim do dia, sobretudo em zonas residenciais onde muitos condutores não têm garagem própria. Quem depende só da rede pública tem de planear melhor e, por vezes, esperar.

E o preço na rede pública?

A mesma análise da UVE indica que a tarifa média de operação subiu de 0,229 €/kWh em setembro de 2025 para 0,245 €/kWh em setembro de 2026, um aumento de 7%. A este valor podem ainda juntar-se outras parcelas, como a tarifa da entidade gestora e o custo do comercializador, o que torna a fatura final de cada sessão variável de posto para posto.

Homem a ligar o carro elétrico a uma wallbox instalada na parede da garagem de casa
Foto: Evnex Ltd, Unsplash

Porque é que carregar em casa faz cada vez mais sentido

A rede pública é essencial para viagens e para quem não tem alternativa. Mas, para o dia a dia, a maioria dos condutores de carros elétricos acaba por carregar onde o carro passa a noite. Há várias razões para isso:

  • Disponibilidade: o lugar de garagem não fica ocupado por outro carro.
  • Comodidade: liga-se o carro ao chegar e de manhã a bateria está pronta.
  • Controlo do custo: a energia é paga ao preço do contrato de eletricidade da casa, e pode ser programada para as horas mais baratas.
  • Segurança: uma wallbox dedicada, com circuito próprio e proteções adequadas, é a forma recomendada de carregar com regularidade, em vez de recorrer a uma tomada doméstica comum.

Tarifa bi-horária e os novos períodos horários

Segundo a ERSE, o consumidor doméstico pode escolher entre três opções tarifárias: simples, bi-horária e tri-horária. Nas duas últimas existe o período de vazio, que é aquele em que a energia tem o preço mais reduzido. Para quem carrega o carro durante a noite, vale a pena comparar as opções com o seu comercializador.

Há também uma mudança a caminho. A ERSE aprovou novos períodos horários para Portugal continental, que nas instalações domésticas com opção bi-horária ou tri-horária serão aplicados entre 1 de julho e 31 de dezembro de 2027. A alteração é automática e deverá ser feita, sempre que possível, à distância através do contador inteligente. Quando os novos horários estiverem em vigor, convém rever a programação da wallbox ou do próprio carro para continuar a carregar nas horas certas.

Moradia ou condomínio: por onde começar

Em moradia, o processo costuma ser mais simples: avalia-se o quadro elétrico, a potência contratada e o percurso do cabo até ao local de estacionamento. Em prédio, entram em jogo as partes comuns, a comunicação à administração e, muitas vezes, a escolha entre ligar ao contador da fração ou ao dos serviços comuns. Explicamos estas diferenças em detalhe na página sobre instalação de wallbox em condomínio.

Se vive em Lisboa ou nos concelhos vizinhos, onde os postos públicos estão entre os mais ocupados do país, ter carregamento próprio pode poupar tempo todas as semanas. Pode ver como trabalhamos na sua zona na página de instalação de wallbox em Lisboa.

O que estes números nos dizem

Quase metade dos ligeiros de passageiros novos vendidos em setembro foram elétricos, e o mercado de usados importados continua a crescer. A rede pública está a aumentar, sobretudo em autoestrada, mas nos concelhos mais densos da Grande Lisboa a procura já pressiona os postos existentes. Para quem está a pensar dar o passo para um carro elétrico, resolver o carregamento em casa ou na garagem do prédio é, cada vez mais, parte da decisão de compra.

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Fontes

UVE: Veículos 100% elétricos lideram mercado automóvel em Portugal no mês de setembro
UVE: A rede de carregamento | Setembro 2026
Forbes Portugal (dados ACAP): Os automóveis novos mais vendidos em Portugal até agora em 2026
ERSE: Tarifas e preços – eletricidade

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